Blog do Arcanjo https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br Com leveza, curiosidade e inteligência, o Blog do Arcanjo abre as cortinas para o teatro, propondo um diálogo entre o palco e o mundo da cultura e do entretenimento. Thu, 02 Apr 2020 15:34:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Como os profissionais da cultura vão sobreviver à crise do coronavírus? https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/31/como-os-profissionais-da-cultura-vao-sobreviver-a-crise-do-coronavirus/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/31/como-os-profissionais-da-cultura-vao-sobreviver-a-crise-do-coronavirus/#respond Tue, 31 Mar 2020 14:13:49 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36535

Um dos primeiros setores afetados pela crise do coronavírus, a cultura e a economia criativa enfrenta crise que gera apreensão nestes profissionais em situação de vulnerabilidade pela própria sobrevivência e de suas famílias, já que estes ficaram sem possibilidade de renda da noite para o dia; na foto, o ator Guilherme Calzavara toca trombeta na sessão da peça Roda Viva no Theatro Municipal em janeiro deste ano – Foto: Jennifer Glass/Divulgação/Oficina – Blog do @miguel.arcanjo

De uma hora para a outra, as cortinas dos teatros foram fechadas, os shows cancelados, os cinemas apagaram suas luzes, as salas de exposição se viram vazias, as coreografias cessaram, os flashes apagaram suas luzes, as livrarias fecharam suas portas, grandes festivais e eventos culturais foram cancelados, a publicidade parou seus testes e gravações. Assim como muitos outros brasileiros que se viram sem emprego no pior momento da história da humanidade, os profissionais da cultura e da economia criativa ficaram sem suas fontes de renda, navegando em um mar de incertezas que deixa estes profissionais apreensivos e perturba suas noites de sono.

Cultura gera 1 milhão de empregos no Brasil e movimenta R$ 10,5 bilhões na economia

A cultura e a economia criativa é um importante motor da economia brasileira, país reconhecido no mundo todo por sua criatividade artística, seu principal cartão de visita. No Brasil, a cultura gera 1 milhão de empregos (o que significa 1 milhão de famílias sobrevivendo desta área), movimentando o impressionante número de 239 mil empresas e instituições, além de gerar R$ 10,5 bilhões em impostos e representar 2,64% do PIB. Só o Estado de São Paulo, onde a economia criativa demonstra sua maior força no território nacional, o setor abarca 47% do PIB criativo brasileiro, representando a cultura e a economia criativa 3,9% do PIB estadual, gerando 330 mil empregos, abastecendo 100 mil empresas e instituições paulistas. É muita gente.

Como sobreviver sem renda?, perguntam artistas

“Eu vivo de bilheteria”, lembra a atriz Nany People, que está em quarentena em seu apartamento paulistano como todos os brasileiros, para preservar vidas, o que realmente importa neste momento. Mas, assim como tantos outros, ela quer saber como vai sobreviver confinada. “Não sabemos como vamos pagar o aluguel de nossos espaços nem nossos funcionários”, revelam Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, da Cia. de Teatro Os Satyros, instalada na praça Roosevelt, centro paulistano, também em quarentena e apreensivos. “Não temos patrocínio. Somos mais de 60 artistas na companhia e estamos zerados sem as bilheterias”, afirmam os artistas do Teat(r)o Oficina dirigido por Zé Celso, que completou 83 anos no último dia 30 de março trancado em seu apartamento, em meio à crise do coronavírus.

Estes são apenas alguns dos milhares de exemplos espalhados pelo Brasil: como os artistas brasileiros vão sobreviver nestes duros tempos que se impõem? E aí não estamos falando de artistas com contratos milionários com emissoras de TV, mas de gente de teatro, da música, do circo, da dança, do cinema e produção audiovisual independente, das artes visuais, do circo, da arte de rua, do mercado publicitário, divulgador e jornalístico especializado em cultura, além de tantas outras formas artísticas de sobrevivência cotidiana que agora estão impedidas de existir.

“Precisamos de renda e de ajuda”, diz produtora

“Me diga, quem tão cedo vai pensar em estar em ambientes fechados?”, pergunta a produtora de grandes musicais Renata Borges, da Touché Entretenimento, propondo que neste momento o setor cultural precisa da excepcionalidade do setor público para manter seus profissionais com renda, que precisa ser distribuída com urgência. E isso, em sua visão, significa “oferecer renda sem pensar em entrega/objeto, em um momento caótico onde isso passa a ser o de menos”. Para ela as secretarias de Cultura nas esferas municipal, estadual e federal precisam pensar com urgência ações neste sentido. “É preciso ajuda”, pede.

Profissionais da cultura são vulneráveis: autônomos e sem garantias

Grande parte dos profissionais da cultura e da economia criativa são autônomos, muitos deles atuando no mercado informal e vivendo de aluguel, que ganham hoje para comer amanhã, não possuindo garantia alguma de renda nestes tempos de confinamento. Se muitos profissionais de empresas de outros setores viram sua demissão chegar junto da crise do coronavírus (o que é desumano sob qualquer ótica), os profissionais da cultura sequer foram demitidos nem possuem direitos legais diante da falta repentina de renda, afinal grande parte não possui contratos de trabalho regulamentados, muitos atuam como MEI (Microempreendedor Individual) ou mesmo de forma completamente informal, o que os coloca em um lugar de vulnerabilidade social que precisa ser prontamente reconhecido pelos governantes de todas as esferas públicas.

É preciso dinheiro para sobrevivência

Ações para tentar salvar o setor cultural ainda são poucas diante do tamanho da crise no setor, pois ainda não chegam diretamente ao artista que necessita de dinheiro para colocar comida dentro de casa, pagar seu aluguel e suas contas de água, luz, gás e internet, neste momento no qual só a sobrevivência importa. É preciso garantir renda mínima também ao setor cultural neste momento.

É claro que são louváveis as iniciativas já feitas, como liberação de linha de crédito a juros baixos em iniciativa da Secretaria da Cultura e Economia Criativa de São Paulo, sob comando de Sérgio Sá Leitão, ou o mapeamento de como o setor vem enfrentando a situação no país feito no Bloco da Cultura, sob liderança de Alê Youssef.

Contudo, para além dessas ações, os profissionais da cultura e da economia criativa necessitam de renda mínima garantida para que possam sobreviver ao um dos períodos mais turbulentos da história da humanidade. Mais uma vez, este jornalista repete: agora, só importa garantia de sobrevivência. Porque, quando tudo isso passar — e há de passar, é preciso ter fé —, os profissionais da cultura e da economia criativa terão força suficiente para se reinventar. Afinal, garra nunca faltou a essa sonhadora gente.

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Zé Celso faz 83 anos: o grande diretor pelo olhar de 6 fotógrafos https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/30/ze-celso-faz-83-anos-o-grande-diretor-pelo-olhar-de-6-fotografos/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/30/ze-celso-faz-83-anos-o-grande-diretor-pelo-olhar-de-6-fotografos/#respond Mon, 30 Mar 2020 22:21:23 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36519

A partir do alto, em sentido horário: Zé Celso retratado por Julia Chequer, Jennifer Glass, Bruno Poletti, Annelize Tozetto, Bob Sousa e Edson Lopes Jr. Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso completa 83 anos neste 30 de março. O grande gênio do teatro brasileiro está em quarentena para preservar sua saúde, assim como todos nós em meio à pandemia do coronavírus. De tal modo que, já que o encontro presencial não é possível, o Blog do Arcanjo homenageia o artista criador do Teat(r)o Oficina com 12 imagens feitas por seis importantes fotógrafos brasileiros: Annelize Tozetto, Bob Sousa, Bruno Poletti, Edson Lopes Jr., Jennifer Glass e Julia Chequer.

Zé Celso por Annelize Tozetto

Zé Celso durante o Festival de Curitiba 2017 em retrato de Annelize Tozetto @annelizefotografia Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso e Miguel Arcanjo Prado no Theatro Municipal durante o 1º Prêmio Arcanjo de Cultura em retrato de Annelize Tozetto @annelizefotografia Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso por Bob Sousa

Zé Celso em 2014 em seu apartamento no bairro do Paraíso, em São Paulo em retrato de Bob Sousa @bobsousa Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso concede entrevista em 2014 ao jornalista Miguel Arcanjo no banheiro de seu apartamento no bairro do Paraíso, em São Paulo em retrato de Bob Sousa @bobsousa Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso por Bruno Poletti

Zé Celso no Teat(r)o Oficina em 2016 em retrato de Bruno Poletti @brunopoletti Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso ao lado da atriz e diva Phedra D. Córdoba no show Phedras por Phedra no Teat(r)o Oficina em 2016 em retrato de Bruno Poletti @brunopoletti Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso por Edson Lopes Jr.

Zé Celso no Prêmio Arcanjo de Cultura no Theatro Municipal em 2019 em retrato de Edson Lopes Jr. @edson_lopes_jr Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso rege o Theatro Municipal cantando Roda Viva com o Teat(r)o Oficina durante o 1º Prêmio Arcanjo de Cultura em retrato de Edson Lopes Jr. @edson_lopes_jr Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso por Jennifer Glass

Zé Celso em retrato de Jennifer Glass @jendoca para a remontagem de O Rei da Vela em 2017 Blog do @miguel.arcanjo

O diretor Zé Celso em manifestação pelo Parque do Bixiga em 2017 em retrato de Jennifer Glass @jendoca Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso por Julia Chequer

Zé Celso recebe indenização pela perseguição que sofreu durante a ditadura militar na sede do Teat(r)o Oficina em 2010 em retrato de Julia Chequer @juliachequer Blog do @miguel.arcanjo

Zé Celso se emociona ao receber pedido de perdão do Estado brasileiro e receber indenização pela perseguição que sofreu durante a ditadura militar, na sede do Teat(r)o Oficina, em 2010, em retrato de Julia Chequer @juliachequer Blog do @miguel.arcanjo

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“Riachão amava viver”, diz Vania Abreu, que resgatou a obra do artista https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/30/riachao-amava-viver-diz-vania-abreu-produtora-de-seu-ultimo-disco/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/30/riachao-amava-viver-diz-vania-abreu-produtora-de-seu-ultimo-disco/#respond Mon, 30 Mar 2020 15:48:56 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36507

Riachão e Vania Abreu – Foto: Adriana Balsanelli @miguel.arcanjo

A cantora e produtora musical Vania Abreu foi muito próxima do cantor e compositor baiano Riachão, que morreu aos 98 anos em Salvador. Ela resgatou a obra do artista e produziu seu disco “Mundão de Ouro”, de 2012, e ainda escreveu o livro infanto-juvenil “Eu e Meu Lugar” inspirada na história do grande músico. Riachão planejava lançar este ano um disco intitulado “Se Deus Quiser Eu Vou Chegar aos 100”, projeto que sua morte interrompe. Emocionada, Vania fala sobre a perda do grande artista ao Blog do Arcanjo.

“Hoje, dia 30 de março de 2020, nos despedimos de Riachão. Não podemos nos esquecer que ele se foi aos 98 anos e viveu feliz.

Sua partida não foi “aparentemente” uma interrupção pela pandemia, mas o seguimento do curso natural da vida. A ida dele, foi serena. Soube que Riachão faleceu em casa, de causas naturais, na manhã desta segunda-feira, junto de sua família.

Creio que vai encontrar com Dalvinha, sua amada que lhe foi tirada muito antes de terem vivido tudo que gostariam. Deve estar sonhando com a alegria das festas da Bahia, vai encontrar com seu irmão Batatinha e tantos outros.

Mas vai sentir saudades do seu amado bairro do Garcia e muitas outras coisas. Ele amava viver.

Tantas histórias maravilhosas ouvi dele, enquanto se lembrava para cantar as músicas que havia feito para elas. Seu copo d’água nunca estava meio vazio, sempre estava meio cheio e não cansava de repetir que a vida foi maravilhosa com ele.

Seu Mundão de Ouro era real. Não sonhava com potes de ouro para além do arco-íris. Ele sabia ver tudo como riqueza. Era um pouco rabugento pelo que o corpo limitava a sua infinita disposição para o samba e especialmente com a bossa-nova. Demos muitas risadas, com seu jeitão meio Rock’n roll de dispensar os músicos mais “eruditos” para o samba.

Na parte que me cabe, que é muito pequena ao falar dele, preciso dizer sempre: muito obrigada. Minha única tristeza hoje é a impossibilidade de fazermos uma festa na sua despedida. Ele gostaria de ter todos lá e com alegria. Como anunciou, na música “Meu Dia Vem Aí, do álbum Mundão de Ouro, em que ele fez em homenagem a Batatinha (fez pela passagem da ida do amigo) e gravamos com a famosa caixinha de fósforo que Batatinha costumava usar para cantar.

Meu dia vem aí,
eu vou seguir
Para o mesmo lugar
Meu amigo já se foi
Eu me lembro que nós dois
Só vivia a cantar.
Quando eu morrer
Quero muitas flores
Quero muitas luzes, clareando a mim
Quando eu morrer
Que forem me levando
Quero meu povo cantando
Anunciando meu fim, meu fim”

Vania Abreu
30 de Março de 2020

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Lembre no vídeo abaixo a alegria de Riachão no programa Sr. Brasil na TV Cultura:

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Governo de SP cria crédito para setor cultural na crise do coronavírus https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/27/governo-de-sp-cria-credito-para-setor-cultural-na-crise-do-coronavirus/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/27/governo-de-sp-cria-credito-para-setor-cultural-na-crise-do-coronavirus/#respond Fri, 27 Mar 2020 12:53:55 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36491

Setor cultural ganha linha de microcrédito a partir de segunda, 30, diante da crise do coronavírus – Foto: Felipe Margarido/Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Diante da pandemia do coronavírus, o setor da cultural, um dos primeiros a ser afetados, está completamente paralisado e cheio de incertezas. Diante disso, o secretário de Cultura e Economia Criativa do Governo do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão, anunciou que será disponibilizado via Banco do Povo uma linha de microcrédito em condições facilitadas para micro e pequenas empresas do setor cultural e criativo. Com R$ 25 milhões, juros de 0,35% ao mês, 90 dias de carência e até 36 meses para pagar. Operações de R$ 200 a R$ 20 mil. As solicitações poderão ser feitas a partir da próxima segunda, 30 de março. Segundo o Sá Leitão, “salvar vidas e salvar a economia são ações compatíveis”. “Juntos, vamos enfrentar e vencer a crise do coronavírus”, afirma.

Sérgio Sá Leitão anuncia crédito para o setor cultural paulista por conta da crise do coronavírus – Foto: @bobsousa Blog do @miguel.arcanjo UOL

Só no Brasil, a cultura gera 1 milhão de empregos, movimenta 239 mil empresas e instituições, além de gerar R$ 10,5 bilhões em impostos e representar 2,64% do PIB. Em São Paulo, onde está 47% do PIB criativo brasileiro, a cultura e a economia criativa representam 3,9% do PIB estadual, gerando 330 mil empregos, abastecendo 100 mil empresas e instituições.

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Crise do coronavírus adia filme sobre Aretha Franklin para dezembro https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/27/crise-do-coronavirus-adia-filme-sobre-aretha-franklin-para-dezembro/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/27/crise-do-coronavirus-adia-filme-sobre-aretha-franklin-para-dezembro/#respond Fri, 27 Mar 2020 10:36:49 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36502 Por conta da grave crise do coronavírus, o filme “Respect”, sobre a cantora norte-americana Aretha Franklin (1942-2018) teve sua estreia adiada pela MGM para 25 de dezembro.

Jennifer Hudson interpreta a lendária intérprete, contracenando com Forest Whitaker, Marlon Wayans, Audra McDonald e Marc Maron, sob direção de Liesl Tommy.

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Madonna lamenta morte por coronavírus de parceiro em filme: Mark Blum https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/26/madonna-lamenta-morte-de-parceiro-em-filme-por-coronavirus-mark-blum/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/26/madonna-lamenta-morte-de-parceiro-em-filme-por-coronavirus-mark-blum/#respond Thu, 26 Mar 2020 23:25:54 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36483

Madonna e Mark Blum no filme Procura-se Susan Desesperadamente de 1985 – Foto: Reprodução

A cantora Madonna lamentou a morte do colega Mark Blum, ator norte-americano com quem contracenou no filme “Procura-se Susan Desesperadamente”, de 1985, por conta de complicações devido ao coronavírus. O astro que tinha 69 anos morreu nesta quinta (26). Ele ainda atuou em filmes como “Crocodilo Dundee” (1986) e “Encontro às Escuras” (1987), além da série “You” (Você, 2018).

“Tenho o desejo de reconhecer a passagem deste humano marcante, ator, amigo e parceiro, Mark Blum, vítima do coronavírus. Isto é realmente trágico e meu coração está com ele, sua família e a todos que ele amava. Me lembro de Mark quando fizemos ‘Procura-se Susan Desesperadamente’ em 1985 como alguém acolhedor, amável e profissional. Outro lembrete de que este vírus não é uma brincadeira, nada é casual sobre isso ou finge que não nos afetará de alguma forma. Temos que nos manter gratos – ser esperançosos – e seguir as regras de quarentena”, afirmou Madonna.

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Produtora de musicais faz carta a governantes e pede ajuda na pandemia https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/26/produtora-de-musicais-faz-carta-a-governantes-e-pede-ajuda-na-pandemia/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/26/produtora-de-musicais-faz-carta-a-governantes-e-pede-ajuda-na-pandemia/#respond Thu, 26 Mar 2020 13:53:36 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36471

Cena de “Peter Pan – O Musical da Broadway”: profissionais do setor necessitam de ajuda do governo, diz a produtora cultural Renata Borges – Foto: Luiz Henrique Leão – Divulgação @miguel.arcanjo UOL

Produtora cultural e responsável pela realização de grandes musicais da Broadway ao Brasil, como “Peter Pan” e “Madagascar”, Renata Borges, da Touché Entretenimento, demonstra-se preocupada com toda a cadeia de profissionais que trabalham no mercado do teatro musical brasileiro diante da pandemia do coronavírus. A área, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas, movimenta R$ 1 bilhão por ano na economia e gera 13 mil empregos só em São Paulo.

Para a empresária do campo das artes cênicas, governantes precisam pensar como fazer o dinheiro chegar às mãos de cada profissional do setor. “O dinheiro parado só ajuda o produtor. A folha de pagamento não consegue ser paga. É preciso nesse momento não pensar em entrega/objeto em um momento caótico em que a entrega passa a ser o de menos”, ela avalia em conversa com o Blog do Arcanjo.

Para Renata Borges, “precisamos da excepcionalidade”. Ela explica o porquê: “para mantermos as pessoas com suas rendas para enfrentarem a crise. Me diga, quem tão cedo vai pensar em estar em ambientes fechado?”, questiona, lembrando que o teatro foi uma das primeiras atividades profissionais prejudicadas com a crise do coronavírus. “A Secretaria Especial de Cultura precisa nesse momento humanizar a cultura. É isso que se espera de cada secretaria e seus setores: ajuda!”.

A produtora cultural Renata Borges: carta aberta aos gestores públicos da Cultura em tempos de pandemia de coronavírus – Foto: Divulgação @miguel.arcanjo UOL

Veja, abaixo, a carta pública de Renata Borges às Secretarias de Cultura de todo o país:

“Prezada Secretaria de Cultura, Prezados Secretários de Cultura de todos os Estados e Prezados Secretários de Cultura Municipais

Imagino como todos estão atordoados e receosos com o que estamos vivendo. Neste momento, todos sairemos perdendo de alguma forma. Digo, todos os setores. Enfrentaremos desafios que não só se limitam à cultura, mas desafios econômicos mundiais. Diante desse cenário caótico, proponho que cada produtor possa fazer algo em prol da sociedade. Os produtores com projetos captados via Leis de Incentivo precisam ser autorizados a realizar o pagamento da folha de salários previstos (mesmo não estando com projetos em cartaz ou os que estavam na fase de execução de projetos). Na verdade, precisamos buscar uma excepcionalidade da lei aonde o produtor possa destinar o valor do projeto a fim de atender às necessidades de milhares de funcionários que trabalham com cultura. Atualmente, isso não é permitido. Os espetáculos incentivados e captados que estavam em cartaz ou prestes a estrear deixaram de pagar suas folhas salariais por todos os eventos nesse momento terem sido suspensos. Essa continuação dos pagamentos seria de vital importância para milhares de pessoas e consequentemente suas famílias, garantindo o sustento da casa, os compromissos adquiridos em função do emprego conquistado. Comprariam comida, remédios e continuariam honrando seus compromissos, já que precisam ficar em casa mas, acima de tudo, em sua maioria não estavam preparados ou sequer tinham reservas econômicas para passar por esta crise que, repito, jamais aconteceu anteriormente. A economia por que tudo que estamos presenciando, será retomada a passos pequenos. Porém, os produtores de teatros e de musicais irão ter uma dificuldade dessa retomada de mercado, pois dependerão que a confiança do público seja restabelecida no caso de frequentar ambientes fechados. Então, estima -se que tudo ficará paralisado ao longo do ano. Vocês e as empresas patrocinadoras agora precisam entender que neste momento crucial a Arte principal é a Arte de se estender a mão ao próximo. Imaginem quantas pessoas irão agradecer às empresas patrocinadoras e a cada secretaria por terem enxergado que hoje precisamos sobreviver dando condições para que as pessoas passem por essa crise com dignidade e assim mantendo o consumo habitual. Pois tendo dinheiro conseguirão alimentar toda a rede da economia e poderão honrar seus compromissos. Claro que o objeto de cada projeto para isso precisa mudar. Mas o que seria deixar de realizar uma temporada, ou apenas realizar parte , para que centenas de pessoas pudessem continuar sobrevivendo de cultura? Já imaginou o valor agregado dessa ajuda? e vocês e o Governo seriam os responsáveis por promover tal ajuda. Acredito muito que se o público pudesse escolher diante das produções seguirem ou ajudarem seus funcionários com certeza optariam por isso. Vocês estariam ajudando acima de tudo o país. Prefiro lembrar de uma produção que salvou empregos e vidas, do que uma produção que demitiu todos seus funcionários. Prefiro lembrar de empresas que enxergaram o lado humano diante dessa crise do que uma empresa que apenas entregou ingressos a colaboradores. Prefiro lembrar de Políticos que exerceram seu papel servindo ao setor, do que políticos ” engessados” por um sistema sem promover ajuda no setor.
Sim, os produtores sairiam perdendo com a não arrecadação de ingressos. Mas cada um hoje precisa assumir uma parcela de sacrifício e prejuízo. E os mesmos produtores dando retorno às empresas com essas ações, que não deixam de ter cunho social, com certeza seriam novamente patrocinados pelas mesmas empresas.
Não se pode pensar em objeto, não se pode se preocupar com a produção de um espetáculo hoje se a sociedade não pode estar em lugares. Não se pode pensar em bilheteria ou fomento se o país está paralisado e o povo precisando de ajuda.
Peço um olhar cuidadoso sobre o tema. Precisamos antecipar a falência de pessoas. Não se trata apenas de falência de empresas. Precisamos agir rapidamente.
Pois o se relacionar hoje significa ajudar, contribuir e salvar. Peço a excepcionalidade diante da gravidade que hoje o país passa. Peço a Excepcionalidade para ajudar o setor em que atuo. Peço que os editais possam favorecer projetos não incentivados e consequentemente produtores que estavam em cartaz bancando os projetos com recursos próprios. Afim de que a verba dos editais permitam também que os mesmos honrem suas folhas de pagamentos. E assim impeçam o desemprego de milhares de pessoas.
Temos Senhores a oportunidade de fazermos algo pelo outro dentro da cultura. E precisa ser agora. Não vamos desperdiçar a chance de Humanizarmos a Cultura. Cultura não existe com pessoas desempregadas ou passando fome.
Atenciosamente
Renata Borges
Produtora Cultural”

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Quarentena: Ivam Cabral faz temporada online de Todos Os Sonhos do Mundo https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/26/quarentena-ivam-cabral-faz-temporada-online-de-todos-os-sonhos-do-mundo/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/26/quarentena-ivam-cabral-faz-temporada-online-de-todos-os-sonhos-do-mundo/#respond Thu, 26 Mar 2020 11:01:05 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36462

Ivam Cabral comoveu o público do 28º Festival de Curitiba com seu solo “Todos os Sonhos do Mundo”, repleto da verdade da vida – Foto: Lina Sumizono – Divulgação Festival de Curitiba – Blog do Arcanjo – UOL

Solo do ator Ivam Cabral, a peça Todos os Sonhos do Mundo começa temporada online nesta sexta (27), Dia Mundial do Teatro, com sessões de sexta a domingo, às 21h. A obra aborda a própria vida do artista fundador da Cia. de Teatro Os Satyros, sob direção de Rodolfo García Vázquez, abordando o tema da depressão. O ator espera com sua lição de vida ajudar as pessoas que estão confinadas em suas casas a superarem a tensão da quarentena e do isolamento social.

A ideia da temporada online surgiu após uma bem-sucedida apresentação informal pelo Instagram na última sexta-feira (20), quando mais de 600 pessoas assistiram à peça no instagram @ivam_cabral e que agora também estará disponível no canal do Satyros no Youtube.

“Nessa apresentação que fizemos na sexta-feira, chegamos a 600 espectadores assistindo online simultaneamente. Tinha gente dos Estados Unidos, de Cabo Verde, Portugal, da França, Itália, Finlândia e Suécia. Fiquei muito comovido com tudo que aconteceu, pela mobilização, interesse e necessidade das pessoas nesse período complicado. Recebi muitas mensagens de agradecimentos e decidi que entraríamos em cartaz novamente, desta vez online, transmitindo da minha casa”, diz Ivam Cabral.

Com a crise provocada pelo novo coronavírus e a subsequente pandemia, o tour mundial que o monólogo faria por Suécia, Finlândia, Espanha e Portugal, nos próximos meses, foi cancelado. A companhia, contudo, decidiu não parar. “Mais uma vez, como em tantos outros períodos históricos, a arte revela-se ainda mais imprescindível do que se imagina, por sua capacidade de levar alento, entretenimento, reflexão e, sobretudo, humanidade às pessoas”, afirma o diretor Rodolfo García Vázquez, que fez a concepção da peça de 60 minutos ao lado de Ivam Cabral.

Os principais temas abordados no espetáculo são justamente a enfermidade, o luto, a depressão e as diversas formas de sociabilidade (imbuída de todas as suas complexidades, como preconceitos e exclusão, por exemplo), “tornando a montagem ainda mais urgente neste período crítico da história humana”, segundo os artistas.

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Festival de Curitiba diminui programação após adiamento pelo coronavírus https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/festival-de-curitiba-diminui-programacao-apos-adiamento-pelo-coronavirus/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/festival-de-curitiba-diminui-programacao-apos-adiamento-pelo-coronavirus/#respond Wed, 25 Mar 2020 21:07:30 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36466

Após ser adiado para setembro por conta do coronavírus, Festival de Curitiba será menor – Foto: Humberto Araujo – Divulgação Festival de Curitiba @miguel.arcanjo

O Festival de Curitiba, maior evento das artes cênicas na América Latina, vai diminuir sua programação após ser adiado por conta da pandemia do coronavírus. O evento teria começado nesta terça (24) e iria até 5 de abril, não fosse a pandemia que pegou a todos de surpresa. A direção do evento soltou o seguinte comunicado nesta quarta (25):

“Ao longo dos 28 anos de existência do Festival de Curitiba, vimos sempre nos defrontando com muitos desafios. O atual talvez seja o maior deles!⠀
Devido aos últimos acontecimentos, às incertezas criadas pela pandemia e ao cenário em que nos encontramos, o Festival de Curitiba informa que a 29ª edição do evento, prevista para ocorrer entre 24 de março a 5 de abril e adiada para 1º a 13 de setembro de 2020, terá a MOSTRA com programação condensada, serão 14 espetáculos em três salas de teatro: Guairão, Guairinha e Bom Jesus mais a programação da Mostra MICU (que aguarda definição de local).⠀
Reforçamos que os ingressos adquiridos para as atrações do Festival continuam válidos e para quem decidir ficar será recompensado com 50% de crédito em relação ao valor da compra, como bonificação. Por exemplo: se você gastou R$80, o seu crédito será de R$40 para qualquer atração em setembro do Festival de Curitiba. Para todas as demais informações sobre ingressos (devoluções ou trocas) estaremos à disposição no e-mail: falecom@festivaldecuritiba.com.br.⠀
Informamos também que a produção do Festival de Curitiba acompanha de perto a situação no País com relação à pandemia do Covid-19. Qualquer mudança ou informação, comunicaremos por meio de nossos canais e redes oficiais.⠀
Fica aqui nossa grande torcida para que você opte por segurar os ingressos!”

O Festival de Curitiba também pediu para a população apoiar os artistas, que estão sem poder trabalhar neste período de confinamento:

“O ramo cultural foi amplamente atingido pela pandemia do Covid-19, o Coronavírus. São milhares de pessoas que trabalham no setor, e, por isso, estamos aqui para pedir seu apoio aos artistas, diretores, figurinistas, técnicos de som, luz e tantas outras atividades para que a arte continue viva e ecoando. Prestigie as transmissões ao vivo dos seus artistas preferidos. Assista aos espetáculos gratuitos disponíveis no youtube. Divulgue editais. Seja parte fundamental para que a cultura continue forte e fazendo parte do nosso lazer e conhecimento. Estamos juntos!”

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Ao longo dos 28 anos de existência do Festival de Curitiba, vimos sempre nos defrontando com muitos desafios. O atual talvez seja o maior deles! ⠀ Devido aos últimos acontecimentos, às incertezas criadas pela pandemia e ao cenário em que nos encontramos, o Festival de Curitiba informa que a 29ª edição do evento, prevista para ocorrer entre 24 de março a 5 de abril e adiada para 1º a 13 de setembro de 2020, terá a MOSTRA com programação condensada, serão 14 espetáculos em três salas de teatro: Guairão, Guairinha e Bom Jesus mais a programação da Mostra MICU (que aguarda definição de local).⠀ Reforçamos que os ingressos adquiridos para as atrações do Festival continuam válidos e para quem decidir ficar será recompensado com 50% de crédito em relação ao valor da compra, como bonificação. Por exemplo: se você gastou R$80, o seu crédito será de R$40 para qualquer atração em setembro do Festival de Curitiba. Para todas as demais informações sobre ingressos (devoluções ou trocas) estaremos à disposição no e-mail: falecom@festivaldecuritiba.com.br.⠀ Informamos também que a produção do Festival de Curitiba acompanha de perto a situação no País com relação à pandemia do Covid-19. Qualquer mudança ou informação, comunicaremos por meio de nossos canais e redes oficiais.⠀ Fica aqui nossa grande torcida para que você opte por segurar os ingressos!⠀ E a programação? Sai ainda hoje aqui nas nossas redes! Aguarde!

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Mayara Baptista herda posto de Zezé Motta em Roda Viva do Oficina https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/mayara-baptista-herda-posto-de-zeze-motta-em-roda-viva-do-oficina/ https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2020/03/25/mayara-baptista-herda-posto-de-zeze-motta-em-roda-viva-do-oficina/#respond Wed, 25 Mar 2020 16:51:19 +0000 https://miguelarcanjo.blogosfera.uol.com.br/?p=36450

A atriz Mayara Baptista é destaque no elenco de Roda Viva do Teat(r)o Oficina – Foto: Bob Sousa @bobsousa @miguel.arcanjo UOL

A atriz Mayara Baptista passou os últimos meses atuando em uma das peças mais importantes da história do teatro brasileiro, “Roda Viva”, de Chico Buarque, dirigida por Zé Celso com o Teat(r)o Oficina, mais de cinco décadas depois da versão de 1968. Na montagem na qual é um dos destaques do elenco, é impossível não associar sua figura à de Zezé Motta, que integrou o primeiro coro da peça, assim como agora faz Mayara. “Passaram os anos, mas a história continua a mesma. Eu acho que mais do que se perguntar sobre a passagem desse bastão, nós precisamos também entender o porquê de haver somente uma mulher negra […] A representatividade não é somente uma ou duas pessoas negras no elenco de vinte e tantas pessoas. Essa nossa passada de bastão é política, uma vez que essa situação não é somente no Oficina , mas é uma questão estrutural”, avalia.

A jovem atriz paulistana criada no bairro da Casa Verde concedeu esta entrevista exclusiva antes do estouro da pandemia do coronavírus, quando ainda se preparava para reestreia da obra no Oficina no último dia 13, que precisou ser cancelada — o grupo pede ajuda do público para sua manutenção neste momento crítico. Questionada pouco antes da publicação deste texto sobre como está se sentindo diante dessa incerteza da pandemia que assola o mundo, ela respondeu: “Ainda estou tentando lidar. Foi tudo muito rápido. O cancelamento da temporada foi muito triste para todos nós. Mas tomamos a decisão pela vida, nos cuidar é ao mesmo tempo cuidar do outro. A melhor maneira que encontrei para lidar com isso foi me afastando um pouco das mídias digitais, apesar de ser algo difícil ainda mais agora em casa, mas estou usando essa situação pra focar na minha saúde física e mental, lendo e escrevendo”.

A seguir, Mayara fala sobre o trabalho na peça, sobre a representatividade da mulher negra, da infância em meio à arte, de como é ser dirigida por Zé Celso e onde se imagina no futuro. Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo — Mayara, como você começou na arte e no teatro?
Mayara Baptista — Na verdade, eu cresci com a arte na veia, minha mãe [Rosângela Baptista] foi cantora de samba e dançarina, cantou com nomes que são referências pra mim como Fundo de Quintal, Arlindo Cruz, Emílio Santiago e Alcione, entre outros, já que a lista é grande [risos]. Meu pai [Humberto Miranda] é produtor musical, meu tio é cantor… Então, a arte esteve muito presente desde cedo, mas ainda não tinha encontrado realmente o que eu queria. Então, fui fazer faculdade de Ciência da Computação [risos], fiz dois semestres, depois consegui uma bolsa de estudos no curso técnico de artes cênicas no Senac. Foi aí que eu falei: agora encontrei o que gosto e sei fazer.

A atriz Mayara Baptista à frente do coro de Roda Viva do Teat(r)o Oficina em sessão histórica no Theatro Municipal de São Paulo em janeiro de 2020 – Foto: Jennifer Glass/Divulgação/Oficina @miguel.arcanjo UOL

Miguel Arcanjo — E como foi parar no Teat(r)o Oficina?
Mayara Baptista — Foi em setembro de 2018, tudo começou com um outro espetáculo que eu fazia que chama Quando Quebra Queima. O pessoal do Oficina foi assistir e nos convidou para apresentar lá no teatro. Quando apresentamos lá o tyazo todo assistiu, inclusive Zé [Celso]. Eles estavam no processo de criação de Roda Viva, depois de uns dois meses da nossa apresentação lá, me mandaram mensagem perguntando se gostaria de integrar o coro de Roda Viva.

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Miguel Arcanjo — Como é ser dirigida pelo Zé?
Mayara Baptista — Posso dizer que ser dirigida pelo Zé é um grande aprendizado, gosto muitas vezes de só ficar observando e ouvindo ele falar, ele tem 82 anos e eu 24! Tem muita coisa lá e ao mesmo tempo tem muita coisa aqui também, ele está sempre disposto a ouvir a descobrir coisas novas, ele é um cara muito antenado.

Miguel Arcanjo — O que você sente ao pensar que está no elenco de Roda Viva?
Mayara Baptista — Um mix de coisas, não gosto de endeusar pessoas ou lugares, mas o Teatro Oficina foi uma das coisas que estudei na escola de teatro [risos] Estudar e depois de uns anos estar ali, fazendo essa peça histórica, é algo que ainda não consigo mensurar.

Ao centro da imagem, de camisa florida e calça preta, Mayara Baptista canta “Roda Viva” no 1º Prêmio Arcanjo de Cultura, no Theatro Municipal de São Paulo, na companhia do elenco do Teat(r)o Oficina formado por (a partir da esquerda) Beth Amin, Maitê Arouca, Tony Reis, Nolram Rocha, Mayara Baptista, Marcelo Dalourzi, Lenin Cattai, Danielle Rosa, Kelly Campelo, Kael Studart e Zé Ed – Foto: Edson Lopes Jr. @edson_lopes_jr @miguel.arcanjo UOL

Miguel Arcanjo — Qual situação inesquecível você passou neste espetáculo?
Mayara Baptista — Foi na nossa apresentação do Rio de janeiro, na Cidade das Artes. Eu levei minha mãe para o Rio pra ela assistir a peça e fazia 20 anos ou mais que minha mãe não ia ao Rio de janeiro e minha mãe morou muitos anos lá. Então, proporcionar isso para ela e ver ela lá na plateia foi uma coisa inesquecível e nesse dia foi uma das melhores apresentações da temporada, foi uma coisa linda!

Coro da peça “Roda Viva” em 1968, com nomes como Zezé Motta (à esquerda, acima), única mulher negra na versão histórica, como Mayara Baptista é outra vez na remontagem cinco décadas depois – Foto: Arquivo Oficina

Miguel Arcanjo — A Zezé Motta foi do coro do primeiro Roda Viva. Agora tem você. Como é pegar dela o bastão da representatividade da mulher negra nesta obra histórica do teatro brasileiro?
Mayara Baptista — Eu admiro muito trabalho da Zezé Motta. No nosso programa nós temos uma entrevista com ela onde nós fazemos perguntas sobre essa representatividade da mulher negra no elenco dessa obra histórica. Passaram os anos, mas a história continua a mesma. Eu acho que mais do que se perguntar sobre a passagem desse bastão, nós precisamos também entender o porquê de haver somente uma mulher negra. Sem esquecer das mulheres pretas que já passaram pelo Teatro Oficina: Denise Assunção, Célia Nascimento, Vivane Clara. A representatividade não é somente uma ou duas pessoas negras no elenco de vinte e tantas pessoas. Essa nossa passada de bastão é política, uma vez que essa situação não é somente no Oficina , mas é uma questão estrutural.

Miguel Arcanjo — Daqui a dez anos você se vê onde e fazendo o quê?
Mayara Baptista — Nossa eu sempre tentei pensar onde estaria daqui dez anos em vários momentos da minha vida [risos], mas tudo não sai como o planejado, então deixo essa função para os ventos e o tempo. Estou em um momento ótimo da minha carreira, trabalhando muito, estudando, escrevendo, conhecendo pessoas. Acabei de gravar meu primeiro trabalho no audiovisual, então tem muita coisa legal pra acontecer. Única certeza que tenho é: estarei fazendo teatro daqui há dez vinte trinta anos.

Miguel Arcanjo — Qual a importância desse Roda Viva de 2020?
Mayara Baptista — Ela é principalmente urgente e necessária, é preciso escancarar mais ainda do que já está escancarado que cultura tem sido massacrada pelo governo atual. E a resposta se dá com a arte atuando cada vez mais, não saindo de cena, mesmo sem nenhum patrocínio, na raça somente com o público as pessoas amantes dessa arte.

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Artistas do Oficina agradecem fortes aplausos na estreia de Roda Viva na Cidade das Artes no Rio em novembro de 2019; Mayara Baptista está de mãos dadas a Zé Celso (terceira da direita para a esquerda) – Foto: Jennifer Glass – Divulgação @miguel.arcanjo UOL

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