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Festival de Curitiba junta nu do MAM e travesti Jesus em obra inédita

Miguel Arcanjo Prado

05/03/2018 06h01

Por Miguel Arcanjo Prado

Mais importante e maior festival de artes cênicas do Brasil, o Festival de Curitiba chega a sua 27ª edição entre 27 de março e 8 de abril de 2018 sem medo de polêmica.

Prova disso é o espetáculo inédito "Domínio Público", que integra a programação com mais de 400 atrações que promete fazer a capital paranaense respirar arte em mais de 90 espaços durante os 13 dias de evento.

O espetáculo, uma das coproduções do festival, é definido pelos curadores Marcio Abreu e Guilherme Weber como "uma peça criada para refletir a onda de conservadorismo e intolerância que assolou o Brasil no ano de 2017".

Para isso, eles convocaram artistas que foram notícia no ano passado para atuar na peça "criada e performada por artistas cujas obras e ações estiveram envolvidas em diferentes episódios de ataque e censura".

Mãe que permitiu que filha tocasse corpo nu do performer Wagner Schwartz, Elizabeth Finger se une ao artista na peça "Domínio Público" no Festival de Curitiba, além de também contar com Maikon K e Renata Carvalho – Foto: Reprodução

Estarão juntos em cena Wagner Schwartz, artista que fez a polêmica performance "La Bête" com nudez no MAM, em São Paulo; Elizabeth Finger, a artista e mãe da menina que tocou o corpo de Schwartz nu no MAM; Renata Carvalho, atriz travesti que foi censurada na Justiça por viver Jesus na peça "O Evangelho Segundo Jesus – Rainha do Céu"; e Maikon K, artista que foi preso pela Polícia Militar do Distrito Federal enquanto realizava uma performance com nudez em Brasília.

Maikon K, que foi preso em Brasília durante uma apresentação artística, também está em "Domínio Público" no Festival de Curitiba – Foto: Victor Takayama/Divulgação

"Domínio Público é também um estudo sobre o Brasil de hoje. Os artistas que passaram a ser conhecidos popularmente como o homem nú do MAM (Wagner Schwartz), a travesti que interpreta Jesus (Renata Carvalho), o homem nú da bolha (Maikon K) e a mãe que permitiu que sua filha tocasse o homem nú (Elizabeth Finger) refletem sobre fake news, o papel da mídia, os robôs e as mensagens de ódio, Estado e religião, arte e sexo como uma resposta pública ao momento virulento que o Brasil enfrenta", falam Abreu e Weber, que assinam a curadoria do Festival de Curitiba pelo terceiro ano consecutivo.

O diretor do Festival de Curitiba, Leandro Knopfholz (ao centro), entre os curadores Marcio Abreu (esq.) e Guilherme Weber (dir.) – Foto: Denise Andrade/Divulgação

Idealizador e diretor do Festival de Curitiba, o produtor cultural Leandro Knopfholz diz que "Domínio Público" respeita a trajetória do festival, que sempre discutiu assuntos pertinentes da sociedade brasileira nos palcos ao longo de todas as suas edições.

"Coproduzir espetáculos é sempre um desafio a mais ao se fazer um evento do porte do Festival de Curitiba, que envolve pessoas e propostas variadas.  E contribuir para estimular reflexões sobre temas relevantes para a sociedade brasileira, por meio das artes e da cultura, traz uma importância a mais para o trabalho realizado por toda a equipe do Festival ao longo de suas 27 edições", declara com exclusividade Knopfholz ao Blog do Arcanjo no UOL.

Malvino Salvador protagoniza "Boa de Ouro", uma das peças do Festival de Curitiba – Foto: João Caldas Filho/Divulgação

Festival de Curitiba tem programação diversa para todos os gostos e bolsos

O Festival de Curitiba não terá só teatro. A programação conta com debates, música, palestras, oficinas e gastronomia.

Knopfholz adianta que a programação conta com nomes reconhecidos como Denise Stoklos, Denise Fraga, Tuca Andrada, Ricardo Tozzi e Luisa Arraes, Mel Lisboa, Reynaldo Gianecchini, Caio Blat, Renata Sorrah, Malvino Salvador e a banda Titãs.

Risorama é sucesso de bilheteria com stand-up: Danilo Gentili, Diogo Portugal e Rafael Cortez se apresentaram no Festival de Curitiba – Foto: Nilton Russo/Clix

O diretor do evento ressalta que há 384 atividades gratuitas este ano e outras 138 no esquema de "pague o quanto vale", estimulando o público a definir o valor de cada apresentação de acordo com sua satisfação diante do espetáculo apresentado.

Além da Mostra 2018 com 29 espetáculos (os ingressos já estão à venda), o Festival de Curitiba ainda conta com o Fringe, sua efervescente mostra paralela sem curadoria, o show de variedades MishMash, Guritiba, focado no público infantil, o Risorama, sucesso de bilheteria com shows de stand-up, e o Gastronomix, o festival de sabores que ocorre durante o evento.

Cena do espetáculo "Gira", do Grupo Corpo, que abrirá o Festival de Curitiba – Foto: Divulgação

Abertura com Grupo Corpo e outros destaques da programação

"Gira", nova coreografia do mineiro Grupo Corpo, irá abrir o Festival e integra o Movva, divisão de dança da Mostra 2018, que inclui ainda os espetáculos "Inoah" e "Corpo Sobre Tela".

Dentro da Mostra 2018, há sete estreias nacionais: "Inoah", "Denise Stoklos em Extinção", "Domínio Público", "Tristeza e Alegria na Vida das Girafas", "A Ira de Narciso", "Se o Título Fosse um Desenho Seria um Quadrado em Rotação" e "Cabaret Macchina", da curitibana Selvática, com participação da cantora Karina Buhr e que se apresenta na Rua da Cidadania da Matriz.

Festival de Curitiba terá mais de 400 atrações entre 27 de março e 8 de abril de 2018 – Foto: Daniel Sorrentino/Clix/Divulgação

Estas duas últimas, mais os espetáculos "Colônia" e "The Machine To Be Another – A Máquina de Ser Outro" são atrações grátis da Mostra 2018.

Também há a pré-estreia de "Doze Flores Amarelas", a ópera rock dos Titãs, de Branco Mello, Sérgio Brito e Tony Bellotto.

"The Machine to Be Another – A Máquina de Ser Outro" (Espanha), "Vamos Fazer Nós Mesmos – Let's Do It Ourselves" (Holanda) e "Tristeza e Alegria na Vida das Girafas" ( França) são as três atrações internacionais da Mostra 2018.

Conheça a programação completa do Festival de Curitiba

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Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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