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Exclusivo-"Não deu tempo de acontecer", diz Zucatelli sobre saída da Gazeta

Miguel Arcanjo Prado

22/07/2019 13h57

Celso Zucatelli no "De A a Zuca": após quatro meses no ar, programa foi extinto pela Gazeta na última sexta (19) – Foto: Divulgação – Gazeta – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Aposta da TV Gazeta para 2019, o apresentador Celso Zucatelli ficou apenas quatro meses à frente do "De A a Zuca". Seu talk show na hora do almoço chegou ao fim de forma abrupta na última sexta (19), em decisão tomada pela direção da emissora que pegou a todos de surpresa e ainda acabou com o "Todo Seu", programa apresentado por Ronnie Von havia 15 anos e que vinha na sequência na grade da emissora da av. Paulista. Experiente jornalista que já passou por veículos como o jornal Estadão e emissoras como Cultura, Record — na qual apresentou o "Hoje em Dia" — e Rede TV!, Zuca conversou com exclusividade com o Blog do Arcanjo sobre o repentino fim de sua atração. Leia a entrevista.

Opinião: Fim do Todo Seu de Ronnie Von é duro golpe na cultura

Miguel Arcanjo Prado — Como você ficou sabendo do fim do seu programa?
Celso Zucatelli —
Recebi a mensagem pelo ponto eletrônico para uma reunião e fui comunicado nela.

Miguel Arcanjo Prado — A equipe do seu programa saiu também?
Celso Zucatelli —
Saiu sim. Eu e o Ronnie compartilhávamos a equipe, aliás, espetacular equipe. Todos profissionais muito competentes. Com o fim dos programas, apenas duas pessoas foram deslocadas para outras produções.

Miguel Arcanjo Prado — O "Todo Seu", que você chegou a apresentar nas férias do Ronnie, também acabou no mesmo dia que o "De A a Zuca". Como recebeu essa notícia?
Celso Zucatelli —
Honestamente, com mais tristeza do que pelo fim do meu. O "Todo Seu" é um clássico, um espaço muito especial para a cultura e comandado por um mestre, meu irmão Ronnie Von. Fico triste da emissora perder isso, mas ele logo estará em novo endereço. A TV não fica sem o Ronnie.

Miguel Arcanjo Prado — Você e o Ronnie conversaram após o fim dos programas? O que ele falou e o que disse a ele?
Celso Zucatelli —
Claro, nos falamos na sexta à tarde, os dois com a certeza de missão cumprida. Todas as experiências são válidas e esta também foi.

Miguel Arcanjo Prado — O que você planeja agora?
Celso Zucatelli —
Eu tô sempre com ideias, muitas. Sempre tem espaço na TV. Pra já, eu tenho palestras agendadas para os próximos dias além de cursos e imersões que eu entrego agora e vou cuidar disso estes dias. Isso se transformou num negócio importante pra mim, ganhou meu investimento e meu amor no último ano. Estou adorando ajudar a galera que quer valorizar sua imagem e fazer seu negócio melhorar e evoluir.

Miguel Arcanjo Prado — Que tipo de programa você gostaria de fazer?
Celso Zucatelli —
Cara, adoro esta pergunta. Miguel, eu sempre gosto de dizer que eu gostaria de fazer algo que eu não fiz ainda. Por exemplo, acabei de fazer um talk show, algo que eu ainda não tinha feito. Num horário diferente do que normalmente se usa para este formato, mas foi um talk show. Eu ainda não apresentei reality show e adoraria fazer isso. Eu fiz quadros de game show, mas não um programa, ou seja, eu também faria. Adoraria fazer algo com auditório. A verdade é que, se a gente faz com carinho e dedicação, o telespectador respeita e apoia qualquer formato, como foi com o "De A a Zuca". Eu adoro conversar com as pessoas pela TV e tenho certeza que vem coisa boa pela frente. É só esperar.

Miguel Arcanjo Prado — Como você avalia essa crise que vive a TV aberta?
Celso Zucatelli —
O País todo passa por um momento difícil que já dura bastante tempo. A economia vai reagir e as emissoras e todas as empresas de mídia precisam reciclar suas estratégias de comercialização para respeitar os novos tempos. Este será o caminho. O "De A a Zuca" era novo na casa e, mesmo com carinho gigante dos telespectadores e dos anunciantes que estavam com a gente, precisaria de mais tempo para que outros o descobrissem. Era muito comum, mesmo com quase quatro meses no ar, eu receber mensagens do tipo: quando você volta pra TV? Então, não deu tempo de acontecer. Quem veio, telespectador ou anunciante, aprovou, elogiou e ficou. No último dia, ainda recebi mensagem de gente dizendo que tinha acabado de descobrir o programa e agradecendo por ter uma nova opção na hora do almoço. E de anunciante, recebi a comemoração de crescimento nos resultados depois da nossa parceria e da certeza de renovação. Há contrato comercial fechado para o programa por mais quatro meses. Ou seja, sabemos que o programa ficou muito legal e ofereceu conteúdo de qualidade. É o que importa pra mim. Por isso, só posso agradecer e respeitar a decisão da emissora, que resolveu adotar outra estratégia, e isso é parte do jogo.

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Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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