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Fernanda Young foi mulher ousada que soube se impor

Miguel Arcanjo Prado

25/08/2019 11h45

Fernanda Young – Foto: Lucas Lima UOL

A morte da escritora, roteirista e atriz Fernanda Young, com apenas 49 anos, deixa as artes brasileiras de luto e já órfãs de sua forte personalidade e grande talento.

Mulher ousada que sempre soube se impor – e pagar o preço por esse atrevimento no Brasil machista – ela criou seu lugar na literatura, na televisão e no teatro.

Sempre inquieta e amante da cultura pop, da qual ela mesma se tornou figura importante, condensou em seus escritos e personagens as delícias agruras de uma mulher urbana independente, dona absoluta de seu destino.

A Vani da série "Os Normais", grande sucesso da Globo, escrita por ela e interpretada com grandiloquência por Fernanda Torres, é o melhor momento de Fernanda como autora de televisão, justamente por ser também uma espécie de alterego da artista fluminense de Niterói que escolheu a urbanidade frenética de São Paulo como seu lar.

Fernanda Young era mulher do mundo, cosmopolita, sacudida, sem papas na língua, solta em pensamentos e atitudes, uma grande artista que performava na própria vida essa liberdade da qual jamais abriu mão.

Nas últimas semanas, ela estava às voltas com os ensaios da peça "Ainda Nada de Novo", com texto de Carlos Canhameiro e direção de José Roberto Jardim.

Mais uma vez, demonstraria que seu destemor diante dos tabus sociais:  no espetáculo, seria uma diretora potente que viveria um romance com uma jovem atriz, papel de Fernanda Nobre. A estreia seria em setembro no Centro Cultural São Paulo.

Infelizmente, Fernanda sai de cena de forma abrupta, antes dos aplausos finais.

Por Miguel Arcanjo Prado

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Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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