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Maju e Sandra juntas no Jornal Hoje: por que não?

Miguel Arcanjo Prado

16/09/2019 08h22

Maria Júlia Coutinho e Sandra Annenberg no "Jornal Hoje": por que não as duas juntas? – Foto: Divulgação/Globo – @miguel.arcanjo UOL

O trabalho impecável de Sandra Annenberg, bem como seu choro doído na última sexta (13), ao se despedir do "Jornal Hoje" para ceder lugar à colega Maria Júlia Coutinho, deixou o Brasil com um nó na garganta.

Afinal, Sandra é a cara do telejornal que abre as tardes da Globo nos últimos 16 anos e é também uma das apresentadoras mais carismáticas — e elegantes — da emissora.

É importante ressaltar o gigantesco significado de Maju, como carinhosamente é chamada Maria Júlia por seus colegas, ascender de moça do tempo do "Jornal Nacional" ao comando da bancada de um dos principais noticiários globais, como aconteceu com a própria Sandra no passado, que também foi moça do tempo do "JN" antes de virar âncora.

No caso de Maju, além de sua atestada competência, há o fato da representatividade étnica que ela carrega, importante para quebrar imagens racistas estruturais deste Brasil e criar novos lugares de significado e referência para a população negra no país.

Contudo, Maju parece ter sido jogada em uma delicada fogueira ao ser convocada para assumir o "Jornal Hoje": afinal, o público ama Sandra. E ainda há o agravante de Sandra ser uma mulher de mais de 51 anos que, ao deixar a bancada do "JH", comprova mais uma vez a machista teoria que diz que mulheres mais velhas não conseguem permanecer em bancadas de telejornais — ao contrário dos homens, cujos seus cabelos brancos e rugas não parecem ser problema para os executivos da TV.

Assim sendo, este colunista concorda com o que pontuou a colega jornalista Edna Dantas: por que não Maju e Sandra juntas no "Jornal Hoje"?

Este seria um recado e tanto da Globo ao seu público. Um telejornal apresentado por duas mulheres competentes: uma mulher de mais de 50 anos e uma mulher negra, ambas refletindo, e muito, o próprio público do noticiário de alcance nacional na hora do almoço.

Eis a argumentação de Edna Dantas: "Fico feliz com a trajetória da Maria Julia Coutinho e o que ela representa para os negros do Brasil. Desejo boa sorte e mais brilho pra ela. Entretanto, acho que a Sandra Annenberg deveria continuar na bancada do jornal. Uma mulher de 50 anos e com potencial para seguir por um bom tempo na bancada – quem sabe ao lado da Maju?".

Este colunista assina embaixo: melhor ideia não há. E começa a campanha por Maju e Sandra juntas no "JH". Por que não?

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Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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