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Crítica: Peça Galo Índio comove com ator que reflete sobre perda do pai

Miguel Arcanjo Prado

18/10/2019 07h00

Rodolfo Amorim no monólogo Galo Índio: sensibilidade à flor da pele para compreender a perda do pai; peça tem sessões grátis na Oficina Cultural Oswald de Andrade até o fim de outubro – Foto: Jonatas Marques/Divulgação – Coluna @miguel.arcanjo UOL

Não é nada fácil falar de perdas terríveis que sofremos. E a morte abrupta de um pai durante a infância, certamente é uma ferida profunda. E é justamente reviver essa dor no palco sob forma de catarse a missão do ator Rodolfo Amorim em seu monólogo Galo Índio.

Sob direção do sempre sensível Antônio Januzelli, o Janô — nome histórico do teatro que busca valorizar o ator e seus sentimentos em encenações profundas que abrem mão de qualquer parafernália —, Amorim se despe de seus sentimentos e revisita memórias profundas. Assim, acaba por traçar um elo entre a perda de seu progenitor e sua própria formação e amadurecimento enquanto artista, homem e pai.

A obra ainda traz uma direção de arte cuidadosa de Renato Bolelli Rebouças que se alia à delicada iluminação de Beto de Faria. Também estão no clima intimista que pede a obra a produção de Bruna Betito e a operação técnica de luz e som de Bruno Canabarro.

Sutil e profunda, a dramaturgia feita pelo próprio ator comove o espectador, que se identifica na humanidade daquele relato tão íntimo e que nos deixa sedentos por valorizar a simplicidade da vida e por nos reconciliarmos com aqueles que vieram antes de nós.

Afinal, como bem pontuou o poeta Renato Russo, na canção "Pais e Filhos": "Você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo. São crianças como você. E o que você vai ser quando você crescer?".

Galo Índio
Crítica por Miguel Arcanjo Prado

Avaliação: Muito Bom ✪✪✪✪
Oficina Cultural Oswald de Andrade (r. Três Rios, 363, Bom Retiro, metrô Tiradentes, SP, tel. 11 3222-2662). Sexta, 20h, sábado, 18h. Até 26/10/2019. 60 min. 14 anos. GRÁTIS.

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Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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