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Eduardo Martini assume direção do Teatro União Cultural em SP

Miguel Arcanjo Prado

09/11/2019 12h00

O ator Eduardo Martini assume direção do Teatro União Cultural, no Paraíso, em São Paulo, por quatro anos – Foto: Divulgação – Blog @miguel.arcanjo UOL

Vencedor do Prêmio do Humor Especial criado por Fábio Porchat em 2019 pelos 40 anos de trajetória profissional de farta contribuição ao teatro que desperta o riso, o ator Eduardo Martini dá em 2020 um importante passo em sua carreira. Nesta entrevista a Miguel Arcanjo, ele revela com exclusividade que assume em 2020 a direção do Teatro União Cultural, nos arredores da avenida Paulista, pelos próximos cinco anos. Martini conta como pretende revitalizar o lugar, propondo a união da classe que faz a cultura, como já aponta o nome do espaço.  Seu desejo, ele conta, é encontrar empresas parceiras e atrair novos públicos e projetos artísticos. "Eu sempre quis ter um espaço, porque produzo muito, me atiro de cabeça, não consigo ficar parado e nem ver meus amigos talentosos desempregados", diz. Leia com toda a calma do mundo.

Miguel Arcanjo Prado — Fiquei sabendo que você está com uma grande novidade para 2020. Qual é?
Eduardo Martini — A novidade é que eu estou como diretor do Teatro União Cultural por cinco anos! Que os deuses do teatro me protejam e me abençoem para fazer uma gestão limpa e de classe!

Miguel Arcanjo Prado — Este ano você ganhou o Prêmio do Humor Especial pelos 40 anos de trajetória. Isso lhe incentivou a ter seu próprio teatro?
Eduardo Martini — Meu Deus, que emoção! Nunca senti uma felicidade igual com esse reconhecimento todo! Adoraria que no ano que vem o Prêmio do Humor, do meu querido Fábio Porchat, fosse realizado no Teatro União Cultural, se o Fábio quiser e puder, é claro. Todo ator sonha em ter um teatro [risos] Mas, não é facil. Eu sempre quis ter um espaço, porque produzo muito, me atiro de cabeça, não consigo ficar parado e nem ver meus amigos talentosos desempregados. O teatro salva, a arte atinge o ser humano através do teatro e é uma experiencia sem igual. Que Ele [Deus] me proteja nessa empreitada.

Miguel Arcanjo Prado — O teatro vai continuar chamando União Cultural?
Eduardo Martini — Sim, porque ate agora não tive tempo de procurar uma empresa para realizar o naming rights, mas a minha proposta é realmente muito atrativa para quem se interessar! Está incrível!

Miguel Arcanjo Prado — Qual a importância que você vê na localização do teatro?
Eduardo Martini — É um espaço que fica na rua Mário Amaral, 209, entre os Jardins e o Paraíso, a três quadras do metrô Brigadeiro, situado bem próximo da avenida mais linda de São Paulo, a avenida Paulista. É um lugar de super fácil acesso. É um teatro de rua, num bairro tranquilo e super valorizado! O acesso sera bem fácil para todo tipo de publico.

Visão do palco e plateia do Teatro União Cultural, na rua Mário Amaral, 209, no Paraíso, em SP, agora sob comando de Eduardo Martini – Foto: Divulgação – @miguel.arcanjo UOL

Miguel Arcanjo Prado — Como você fará a curadoria da programação do teatro?
Eduardo Martini — Da forma mais honesta que eu puder. Meu pai foi superintendente financeiro da Itaipu Binacional, e eu aprendi algumas coisas com ele que levo para a vida toda. Não tenho medo de trabalho! Serão bem vindas todas as produções que, acima de tudo, respeitem o publico pagante, se preocupem com a formação de plateia e principalmente com a qualidade do espetáculo a ser apresentado! Tudo isso nada tem a ver com dinheiro… Entende?

Miguel Arcanjo Prado — E o que o público pode esperar das peças que estarão por lá a partir de 2020?
Eduardo Martini — Qualidade! Acima de tudo, qualidade. Terças musicais, onde eu pretendo juntar Markinhos Moura, Claudete Soares, Wanderléa e Claudia, por exemplo! Quartas e quintas-feiras especiais, horário nobre de sexta a domingo, e sábado e domingo com tardes de teatro infantil.

Miguel Arcanjo Prado — O espaço também terá uma área reservada para a gastronomia?
Eduardo Martini — Sim, teremos um cafe bem diferente no hall do teatro. Vou oferecer uma "programação gastronômica" exclusiva para os moradores do bairro.

Miguel Arcanjo Prado — O Teatro União Cultural sob seu comando terá espaço para outras coisas além de peças?
Eduardo Martini — Sim! Vou abrir turmas de dança para atores com DRT por um valor ínfimo. A gente precisa se mexer! [risos] Quero abrir a Sala Off, que fica no andar debaixo do teatro para espetáculos de pequeno porte, contação de história, solos experimentais, e até leituras dramatizadas. Também teremos cursos de atuação, de canto coral e, claro, estou aberto a qualquer ideia que seja diretamente ligada à arte. No hall, faremos exposição de quadros de variados artistas, lançamento de livros e podemos até pensar em debates e conversas, encontros pra gente poder ver se a classe teatral se une mais um pouco… "Sonho meu, sonho meu, vai buscar quem mora longe, sonho meu" [cantarola e ri]. E, claro, estou aberto para empresas realizarem seus eventos, formaturas, espetáculos de dança, etc.

Eduardo Martini passa a dirigir Teatro União Cultural: "Todo ator sonha em ter um teatro" – Foto: Divulgação – @miguel.arcanjo UOL

Miguel Arcanjo Prado — Você já consegue adiantar algo de programação?
Eduardo Martini — Como no momento estou fazendo um filme com roteiro e direção do meu amigo/irmão Marcelo Saback e estou dedicado totalmente a ele, ainda estou arrumando o teatro do meu jeito. Já conversei com alguns produtores, mas ainda está tudo muito recente para eu te adiantar. Mas logo terei novidades para te contar.

Miguel Arcanjo Prado — Você quer integrar o teatro no circuito cultural da avenida Paulista, atraindo também os turistas que circulam pelos centros culturais próximos, como Itaú Cultural, Casa das Rosas e Sesc Avenida Paulista?
Eduardo Martini — Se eu conseguir realizar o que eu pretendo, será maravilhoso! Por exemplo, penso em fazer assim no começo: se você vai à Casa das Rosas, ao Itaú Cultural, ao Teatro Eva Herz, o canhoto do ingresso valerá um super desconto para qualquer peça que esteja em cartaz no Teatro União Cultural. Dessa forma poderemos medir ou ter uma noção de como anda o Circuito Cultural da Avenida Paulista. Se isso funcionar, penso em abrir para todos os teatros. Vai ser lindo se eu conseguir informar e formar o público sobre isso.

Miguel Arcanjo Prado — Qual o balanço que você faz de 2019? Quantas peças você produziu este ano de forma independente?
Eduardo Martini — Foi um ano feliz. Muito feliz. Eu definitivamente soube o valor de um não e isso mudou muita coisa na minha vida. Produzi e dirigi um texto hilário do Raphael Gama, "Uma Lágrima para Alfredo", e ganhamos o primeiro lugar no Festival de Teatro de Mairiporã, além de melhor trilha e melhor maquiagem. Eu fui indicado melhor ator e melhor figurino. Fizemos duas apresentações no Teatro Educamais na Sala Ariano Suassuna em Jacareí, com 700 lugares lotados, e estamos há três meses em cartaz com sucesso de público no Teatro Folha do shopping Pátio Higienópolis. Fiquei com "Simplesmente Cinderella", infantil da Regiana Antonini no Teatro Folha também por três meses e percebemos a importância da formação de plateia para o nosso futuro. Realizei o Festival do Amor, nome dado por mim para três textos lindos, que falam de amor sem levantar bandeira e formando publico (pelo menos tentando) sobre respeito, direitos, deveres e principalmente nas várias formas de amar. Tenho três textos já na pré-produção, um deles internacional. Agora é torcer para tudo continuar assim, cada coisa na sua hora e no seu momento. Se for pra acontecer vai acontecer, né?

Miguel Arcanjo Prado — O que você deseja para seu 2020?
Eduardo Martini — Saúde! Sem ela não consigo fazer nada!

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Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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