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Bomba na Porta dos Fundos é ato anti-Cristo: Jesus pregou amor, não ódio

Miguel Arcanjo Prado

25/12/2019 10h19

Bomba explodiu na sede da produtora em ato anti-Cristo: cena do Especial de Natal do Porta dos Fundos – Foto: Divulgação

A bomba que explodiu em plena noite de Natal na sede do Porta dos Fundos, no Rio, além de ser crime hediondo, é um ato anti-Cristo, que vai contra a tudo que Ele ensinou.

"Se alguém bater em você numa face, ofereça-lhe também a outra", diz Jesus no Evangelho de Lucas, capítulo 6, versículo 29. Tal frase expressa a base do cristianismo: o amor ao próximo, a tolerância e a condenação a qualquer tipo de reação violenta.

Quando foi preso, assim que recebeu o beijo traidor de Judas, um dos seguidores de Cristo reagiu com uma espada, cortando a orelha de um servo do sumo sacerdote que vinha capturar Jesus, como consta no Evangelho de Mateus, capítulo 26, versículos de 47 a 56.

Sereno, Jesus repreendeu ao ato violento em sua defesa de forma condenatória: "Guarde tua espada, pois todos os que lançam mão da espada à espada perecerão", falou ao seguidor que agiu com violência para defendê-lo da prisão.

E Jesus ainda complementou que poderia ele mesmo se defender, caso desejasse: "Acaso, pensas que não posso rogar a meu Pai, e Ele me mandaria neste momento mais de doze legiões de anjos?".

Recordado isso, fica evidente: Jesus, segundo consta na Bíblia, é o filho de Deus e não precisa de nenhum ato violento supostamente em sua defesa. Muito pelo contrário, Cristo sempre condenou veementemente atitudes deste tipo.

Tanto que se entregou para ser torturado e morto numa cruz sem qualquer tipo de reação violenta para com seus algozes.

O Especial de Natal do Porta dos Fundos é incômodo para muitos cristãos, mas responder a este mal estar com um atentado a bomba que poderia ter matado pessoas, ferindo o mandamento divino "Não Matarás" do Velho Testamento, não é um ato cristão.

Até porque, assim como fez o programa com Cristo, religiões atuais que se dizem cristãs também debocham, em púlpitos de igrejas, de outras religiões, condenando os seguidores destas ao fogo do inferno e propagando o ódio inter-religioso, como algumas denominações neopentencostais fazem, por exemplo, com as religiões católica, espírita ou de matriz africana. E não há qualquer tipo de revide violento por parte das religiões ofendidas.

Afinal, nossa Constituição garante tanto a liberdade de culto religioso quanto a liberdade de expressão artística. E é preciso que ambas convivam na paz, como deve ser em uma democracia que respeite que as pessoas são e pensam de forma diferentes.

É preciso reiterar: explodir uma bomba supostamente em nome de Jesus é um ato anti-Cristo, um ato covarde que só demonstra que quem o praticou ou o incentivou estão longe dos valores cristãos, aqueles pregados pelo próprio Cristo.

Gente que precisa ser investigada e punida de forma exemplar pelas autoridades competentes, se é que ainda vivemos em um Estado democrático de direito, onde a liberdade de expressão artística e intelectual é garantida no artigo 5º da Constituição de 1988.

E explodir bomba é ato terrorista, que merece condenação imediata de todas as esferas do poder.

Para encerrar, não custa lembrar que Jesus Cristo resumiu tudo que ele mesmo ensinou na seguinte frase, registrada no Evangelho de Marcos, capítulo 12 versículo 31: "Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior que este".

Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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