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Crítica: Bárbara Paz transforma dor do fim de Babenco em poético recomeço

Miguel Arcanjo Prado

05/02/2020 08h15

Bárbara Paz na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na qual exibiu seu filme Babenco, Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou – Foto: Leo Lara/Universo Produção – Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Bárbara Paz conseguiu transformar a dor do fim em poesia. Assim poderia ser definido o filme "Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou". A atriz e agora também cineasta exibiu o longa no último sábado (1º) em sessão lotada e bastante aplaudida na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, na qual afirmou que fazer o filme ser assistido é como tornar vivo outra vez Héctor Babenco (1946-2016). Verdadeira ode ao amor, o filme narra os últimos momentos da vida do grande cineasta argentino radicado no Brasil e com quem ela foi casada, autor de filmes como "Pixote, A Lei do Mais Fraco", clássico do cinema brasileiro de 1980, e "O Beijo da Mulher Aranha", que lhe rendeu indicação ao Oscar de melhor direção em 1986. Com a sensibilidade de quem teve em sua trajetória grandes mestres da arte e da comunicação, como Zé Celso e Silvio Santos, sempre sabendo reinventar-se, Bárbara constrói sua narrativa de forma intimista, performando não só a parceria na luta do cineasta pela sobrevivência a um câncer agressivo como também oferecendo ao público a visão deste artista sobre si próprio e o mundo ao seu redor. Estão no filme o sentimento do forasteiro, com Babenco dizendo que era chamado de brasileiro na Argentina e de argentino no Brasil, e também do menino de Mar del Plata de origem imigrante judaica, que afirma não se sentir completamente inserido na sociedade, e ainda seu descortinar das desigualdades sociais que castigam o Brasil e a América Latina. A visão sagaz de Babenco se sobressai em comentários pinçados em seu cotidiano e também em entrevistas concedidas ao longo de sua carreira, em uma montagem sensível que pega o público pelo coração com sua fotografia em preto e branco. Não à toa, o filme levou o prêmio de melhor documentário no 76º Festival Internacional de Cinema de Veneza na Mostra Venice Classics, que reúne produções sobre cinema e seus realizadores, e também de melhor documentário no Festival Internacional de Cinema de Mumbai, na Índia. Porque, afinal, mais do que documentar o fim de um grande artista do cinema de nosso tempo, o filme de Bárbara transforma delicadamente este fim em um poético recomeço.
Avaliação por Miguel Arcanjo Prado: Ótimo 

Bárbara Paz na 23ª Mostra de Cinema de Tiradentes, na qual exibiu seu filme Babenco, Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou – Foto: Leo Lara/Universo Produção – Divulgação – Blog do @miguel.arcanjo UOL

Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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