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Artistas ficam perto do povo e mostram seu valor em tempos de coronavírus

Miguel Arcanjo Prado

24/03/2020 12h19

Claudia Raia e Ivam Cabral: arte perto do povo em quarentena pelo coronavírus – Fotos: Reprodução @miguel.arcanjo

Diante do mar de incertezas no qual a humanidade está mergulhada nestes tristes tempos de pandemia do coronavírus por todo o mundo, os artistas têm escolhido ficar perto do povo e mostram, diariamente, seu valor.

A cultura e a economia criativa foi uma das primeiras áreas a serem afetadas pela pandemia, que muda a cada minuto drasticamente toda a estrutura socioeconômica que até então conhecíamos. Entretanto, os artistas não desistiram de fazer chegar ao público sua arte, como forma de conforto e alívio aos que estão em quarentena.

Se os profissionais de saúde merecem nossos aplausos de pé por sua coragem e garra diária no cuidado com os enfermos, os artistas, até pouco tempo tão atacados neste país, também têm seu valor redescoberto pela população nestes tempos nos quais a arte ajuda a aliviar tanta angústia.

Uma série ou filme no streaming, uma peça de teatro online, um show intimista feito de casa, a declamação de um texto reflexivo… Tudo isso nos distrai, ajudando nossa saúde mental e trazendo a todos um pouco de alívio e esperança.

Pelo Brasil e pelo mundo são milhares de iniciativas de artistas solos ou em coletivo e também de instituições culturais que usam as redes para deixar a arte próxima à população que não pode mais sair de casa.

A atriz Claudia Raia leu um texto que analisa o momento que estamos vivendo, lembrando da importância de o homem rever sua relação com a natureza — que está ainda mais exuberante nestes tempos de homem confinado. O vídeo já foi visto por mais de 1,2 milhão de pessoas.

O ator Ivam Cabral fez no Instagram seu solo "Todos os Sonhos do Mundo", no qual fala de superação de adversidades, comovendo muitos de seus seguidores. Ele organiza ainda com Rodolfo García Vázquez, do grupo Os Satyros, e da SP Escola de Teatro, o Festival Quarentena, entre 6 e 12 de abril, para o qual já conta com a ajuda de amigos artistas espalhados por lugares como Portugal, Cabo Verde, Finlândia, Suíça, Canadá, Espanha e Suécia.

A primeira sessão on-line de "Todos os Sonhos do Mundo" deu tão certo que inspirou uma temporada que começa na próxima sexta (27), Dia Mundial do Teatro, sempre de sexta a domingo, às 21h, ao vivo — a peça teve seu tour mundial por Suécia, Finlândia, Espanha e Portugal cancelado por conta da pandemia.

"Nessa apresentação que fizemos na sexta-feira, chegamos a 600 espectadores assistindo online simultaneamente. Tinha gente dos Estados Unidos, de Cabo Verde, Portugal, da França, Itália, Finlândia e Suécia. Fiquei muito comovido com tudo que aconteceu, pela mobilização, interesse e necessidade das pessoas nesse período complicado. Recebi muitas mensagens de agradecimentos e decidi que entraríamos em cartaz novamente, desta vez online, transmitindo da minha casa", diz Ivam Cabral.

"Mais uma vez, como em tantos outros períodos históricos, a arte revela-se ainda mais imprescindível do que se imagina, por sua capacidade de levar alento, entretenimento, reflexão e, sobretudo, humanidade às pessoas", afirma o diretor Rodolfo García Vázquez.

São vários os artistas perto do povo. O cantor Luiz Gabriel Lopes aderiu às lives no Instagram, como forma de fazer sua música ecoar e alegrar o dia a dia dos confinados. O mesmo vêm fazendo Caetano Veloso, Duda Beat, Gustavito, Sofia Viola, Ana Cañas e tantos outros artistas de alma sensível, como a cantora chilena radicada em Belo Horizonte Claudia Manzo, que ensinou receitas de sua terra natal em uma live no Instagram.

Em Buenos Aires, o Teatro San Martín disponibilizou na internet peças teatrais como "Mãe Coragem", para que o público possa ir ao teatro na sala de casa. Em São Paulo, importantes instituições e museus, como o Itaú Cultural, disponibilizam boa parte de seu acervo on-line.

No campo de pensar ações que auxiliem os artistas que de repente ficaram sem sua forma de sustento, baseada no encontro presencial com o outro, hoje impossível, a Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo tem demonstrando esforço, bem como a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, ao pensarem ações culturais não-presenciais e novas linhas de financiamento para que os artistas não morram de fome neste período de quarentena.

Nestes turvos tempos, os artistas demonstram que a cultura, mais do que nunca, é fundamental. Afinal, a arte sempre foi e sempre será companheira da humanidade em seus momentos mais difíceis.

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Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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