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"Riachão amava viver", diz Vania Abreu, que resgatou a obra do artista

Miguel Arcanjo Prado

30/03/2020 12h48

Riachão e Vania Abreu – Foto: Adriana Balsanelli @miguel.arcanjo

A cantora e produtora musical Vania Abreu foi muito próxima do cantor e compositor baiano Riachão, que morreu aos 98 anos em Salvador. Ela resgatou a obra do artista e produziu seu disco "Mundão de Ouro", de 2012, e ainda escreveu o livro infanto-juvenil "Eu e Meu Lugar" inspirada na história do grande músico. Riachão planejava lançar este ano um disco intitulado "Se Deus Quiser Eu Vou Chegar aos 100", projeto que sua morte interrompe. Emocionada, Vania fala sobre a perda do grande artista ao Blog do Arcanjo.

"Hoje, dia 30 de março de 2020, nos despedimos de Riachão. Não podemos nos esquecer que ele se foi aos 98 anos e viveu feliz.

Sua partida não foi "aparentemente" uma interrupção pela pandemia, mas o seguimento do curso natural da vida. A ida dele, foi serena. Soube que Riachão faleceu em casa, de causas naturais, na manhã desta segunda-feira, junto de sua família.

Creio que vai encontrar com Dalvinha, sua amada que lhe foi tirada muito antes de terem vivido tudo que gostariam. Deve estar sonhando com a alegria das festas da Bahia, vai encontrar com seu irmão Batatinha e tantos outros.

Mas vai sentir saudades do seu amado bairro do Garcia e muitas outras coisas. Ele amava viver.

Tantas histórias maravilhosas ouvi dele, enquanto se lembrava para cantar as músicas que havia feito para elas. Seu copo d'água nunca estava meio vazio, sempre estava meio cheio e não cansava de repetir que a vida foi maravilhosa com ele.

Seu Mundão de Ouro era real. Não sonhava com potes de ouro para além do arco-íris. Ele sabia ver tudo como riqueza. Era um pouco rabugento pelo que o corpo limitava a sua infinita disposição para o samba e especialmente com a bossa-nova. Demos muitas risadas, com seu jeitão meio Rock'n roll de dispensar os músicos mais "eruditos" para o samba.

Na parte que me cabe, que é muito pequena ao falar dele, preciso dizer sempre: muito obrigada. Minha única tristeza hoje é a impossibilidade de fazermos uma festa na sua despedida. Ele gostaria de ter todos lá e com alegria. Como anunciou, na música "Meu Dia Vem Aí, do álbum Mundão de Ouro, em que ele fez em homenagem a Batatinha (fez pela passagem da ida do amigo) e gravamos com a famosa caixinha de fósforo que Batatinha costumava usar para cantar.
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Meu dia vem aí,
eu vou seguir
Para o mesmo lugar
Meu amigo já se foi
Eu me lembro que nós dois
Só vivia a cantar.
Quando eu morrer
Quero muitas flores
Quero muitas luzes, clareando a mim
Quando eu morrer
Que forem me levando
Quero meu povo cantando
Anunciando meu fim, meu fim"

Vania Abreu
30 de Março de 2020

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Lembre no vídeo abaixo a alegria de Riachão no programa Sr. Brasil na TV Cultura:

Sobre o autor

Eleito três vezes um dos dez melhores jornalistas culturais do Brasil pelo Prêmio Comunique-se, Miguel Arcanjo Prado é jornalista, mestre em Artes pela UNESP, pós-graduado em Mídia, Informação e Cultura pela USP (Celacc-ECA) e bacharel em Comunicação Social pela UFMG. É crítico da APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), da qual foi vice-presidente. Mineiro de Belo Horizonte, vive em São Paulo desde 2007. Passou por TV Globo Minas, O Pasquim 21, TV UFMG, Rádio UFMG Educativa, Curso Abril de Jornalismo, Superinteressante, Contigo!, Folha de S.Paulo, Agora, Uma, R7, Record, Record News, Rede TV!, Claudia, Band, Gazeta e Rede Brasil. É jurado dos prêmios APCA, do Humor, Bibi Ferreira, Sesc Melhores Filmes e Risadaria. Ganhou os prêmios Nelson Rodrigues, Inspiração do Amanhã e Referência Nacional pela Ancec. Como dramaturgo, é autor da peça Entrevista com Phedra.

Sobre a coluna

Miguel Arcanjo mostra o que acontece e quem é destaque nos palcos, telas, salas e sociedade, com informações e entrevistas exclusivas, além de reflexões sobre o mundo da Cultura e do Entretenimento.

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